ABC de Mourão - Armando Azevedo

Armando Azevedo

 

ORIGEM DO POETA BAIANO

O autor
Prefácio
Desabafo Mourístico
Cantadores Nordestinos
Poeta baiano
Folclore do povo da Bahia
Casos que o povo conta
ABC de Mouros e Cristãos

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I

São sete pecados
Sete notas musicais
Sete dias da semana
Sete anjos celestiais
Sete vazes vou contar
Sete famílias vão fundar
O escondido nos matagais

II
Pedro da mesa e Bonifácio Dantas
Eleutério e Mário Ferreira
Zezé Almeida e Otacílio Rocha
Medrado e sua companheira
Nas margens do Jucuruçu
O escondido virou Itamaraju
Nossa pátria verdadeira

III
Nasci numa casa branca
Perto de um riacho comprido
Neto de Pedro da Mesa
Um fundador do escondido
Era dezenove de abril
Um coração novo surgiu
Itamaraju berço querido

IV
Fazenda verde pastos
Amigos na redondeza
Coqueiro céu ventania
Expulsei do peito a tristeza
Cai nas mãos da doença
Um povo de pouca crença
Condenava-me a pobreza

V
Se transporte era difícil
Médico nem pensar
Só jegue égua e cavalo
Pra carroça puxar
No antigo escondido
Pistoleiros bandidos
Vivia no povo a mandar

VI
Tinha um valentão
Comprador de madeira
Que comprou dois caminhões
Vermelhos pra capoeira
Fazia a festa na região
Matava que só o cão
Nas tardes de sexta-feira

VII
Tratava com meu povo 
Pra madeira comprar
Passava a moto serra 
Devastava ao luar
Enchia o caminhão de pau
O dono virava mingau
Se fosse lá reclamar

VIII
Assim o valente
Muito rico ficou
Fazendo fama e dinheiro
Exibindo seu valor
Matando pobre adoidado
Com terra madeira e gado
Assombrando o interior

IX
A mão de Deus me curou
Bons espíritos cuidavam
Menino de verso imitando
Bicho e gente que passava
Trabalhadores e freguês
Mulher e filho de camponês
Que só fiado compravam

X
Prestava atenção no gemido 
De marreco cabra cachorro
Todo tipo de zumbido
Que ecoava dos morros
Depois saia assoviando
Fazendo graça imitando
Os cabras e seus desaforos

XI
Volto ao valente
Pois assim sucedeu
Um dia no bar do Pedro
Um caso aconteceu
Fazia um homem beber cachaça
Dava chute pinga e pirraça
Na vista de seu Alfeu

XII
Neste dia o senhor
Já estava a sua espera
Um magrinho de chapéu
Marido de dona Vera
Puxou um facão corneta
Veloz como um cometa
Pedaços voaram por terra

XIII
Na fazenda Saudade
Meus pais foram morar
Com três anos e meio
Aprendir a ler e contar
O tempo foi passando
Papai só pensando
Para cidade se mudar

XIV
Ainda lembro da mudança
As coisas pra juntar
O mato verde passando
Eu quis logo perguntar:
Falta muito ou falta pouco?
Tem uma coruja no toco 
A chuva vai lhe molhar

XV
Na cidade sem dinheiro
Sem emprego e sem conforto
Meu pai sofria tanto
O semblante ficou morto
Eu já não perguntava
Mais o que se passava
O nosso mundo ficou torto

XVI
Mesmo assim sofrendo
A graça não perdia
Na casa grande de vó
Sempre tinha alegria
Menino lá não faltava
De vez em quando apanhava 
No dia que merecia

XVII
A cantoria seu moço
Aprendir com minha vó
Ela sempre costumava
Dar sempre o melhor
Carinho amor e atenção
Tinha um grande coração
Não deixava agente só

XIX
Vó assim cantava para me ninar
Urubu subiu ao céu
Com fama de cantador
Quando chegou lá nem a viola ele pegou...
Cê canta urubu? Não senhor
Cê dança urubu? Não senhor
Porque urubu? Porque sou doutor

XX
Na escola de Jaci 
Ou no grupo escolar
Tirou dez de novo
Começaram a falar:
Esse menino é o cão
Acertou outra lição
Antes mesmo de explicar

XXI
Estudei o quanto pude
Aprendi com os velhos a poesia
Caso de muito respeito
Meu ouvido agradecia
Sempre admirei os conceitos
Dor professor Edgar Padaria
XXII
Itamaraju meu berço amado
Desde outrora refletia
Gente lenda e folclore
Um porre um gole de poesia
Advogado freira e padre
Conversa e caso de comadre
Tudo isso eu ouvia

XXIII
Foi no saber do povo
Que a poesia aflorou
Nos acordes da viola
Na procissão e louvor
Edgar padaria tem valor
Foi mestre e doutor
No ramo da poesia

XXIV
Eduardo, Simões e Rita
Laercio, Nubia, Valéria Luar.
Manasses, Robert, Neurilene
Uda, Cláudio e Aliomar.
Sebastião, Ademir e Raimundo.
Gente desse mundo
Que em salvador foi morar

XXV
Entrei na Faculdade
Na capital da Bahia
Padeci nesta época
Maus tratos e covardia
Estudante sem dinheiro
Nego bate igual a pandeiro 
Gemendo na cantoria

XXVI
No curso dos números
Focalizei o desafio
O porque da mentira
Que impera no Brasil
No fogo da economia
Ganância e hipocrisia
Malhada a ferro frio

XVII
Li, Mark, Engels Tolstoi
Machado e José de Alencar
Vítor Hugo, Maquiavel e a Bíblia.
Jorge Amado e Oxalá
Graciliano e Drumond e Pedro Arcanjo
Fernando Sabino ao deitar
Shaksspeare, Socrates e Platão
Aristóteles El Cid a viajar
Mário e Osvaldo de Andrade
Renato Almeida, mestre Elomar
Porem deixo claro 
Para que tem ouvidos de escutar
Toda sabedoria é um faixo de luz
Um espírito humilde que conduz
Mas para um homem ser feliz 
Só precisa de Jesus

XXIX
Com diploma de bacharel
Fui auditor na capital
Num trabalho exaustivo
Número velho e atual
Por vocação a poesia
O que me dá alegria
É este gênero gramatical

XXX
Sou poeta de Mourão
Qualquer um pode ver
Um coração de alegria
Na academia do saber
Um espirito vem me ajudar
Quando começo a escrever

XXXI
Uma força superior
Minha mente vem juntar 
Dizendo para seguir
Na arte de narrar
Um dia sem saber
Hildegardes ele mandou ver
Pro folclore continuar

XXXII
Naquele espanto
Cuíca pude ver
Chegava também Rodolpho
Para me socorrer
Poeta é pra saber profundo
É como as águas do mundo
Escorre para viver

XXXIII
Assim é minha Historia
Regada para vocês
Mandar versos bonitos 
Antes do fim do mês
Nada de tristeza
Damos graça a beleza
O saber foi Deus quem fez